Leia-me do Komesso. O fim é importante em todas as Koisas.

Terça-feira, Março 31, 2009

Duas peças...

... de teatro "surrealista".

Uma dedicada a Picasso, pelo "O Desejo pego pelo rabo".
E outra pro Bill, pelo conjunto da obra.

Quinta-feira, Março 26, 2009

Como vejo a filosofia




Como vejo a filosofia

Wilian F. Pereira

Florianópolis, 2003











A filosofia não nasce em lugar nenhum, pois ela é o nosso estado natural. O ser humano naturalmente filosofa. O que se diz geralmente sobre a filosofia não menciona o fato de, tal como ela é ensinada nas faculdades, tratar-se apenas de mais um tipo de linguagem técnica, dotada de terminologia bem definida e específica.

Pode-se ensinar história da filosofia a qualquer pessoa. Imagina-se que, pelo estudo da história da filosofia, compreendamos os mecanismos de pensamento, método e expressão dos maiores pensadores da história oficial.

No entanto, posso afirmar que se chega à verdadeira filosofia por várias vias. A filosofia é o filosofar, o movimento. Sem a prática, sem que nos coloquemos frente a frente com as questões mais profundas de nossos estudos, não há progressos. A filosofia estudada “puramente”, como se diz, a ovacionada Filosofia Pura é um erro conceitual. Não pode existir filosofia pura.

A filosofia nos ocorre justamente pelas conexões e saltos cognitivo-criativos de curiosidade em nossas considerações diárias, rotineiras até. Tudo é motivo para filosofia, pois tudo diz tudo sobre tudo, desde que saibamos ler. Pureza não cabe.

O que a graduação ensina são justamente alguns percursos de pensamento, e apresenta ferramentas para que aumentemos o rigor lógico e a acuidade de nossos passos e procedimentos intelectuais. No entanto, ela não nos ensina a sermos criativos, nem a sermos filósofos, além de praticamente sabotar o desenvolvimento de sabedoria. Conhecimento e sabedoria são dois caminhos. A filosofia está no meio.

Estudar filosofia como quem lê literatura é uma perda de tempo (excetuando-se, claro, a literatura filosófica, que é outra coisa). A literatura percorre caminhos próprios e típicos, como todo gênero literário, e a filosofia, a rigor, pode ser vista como apenas um gênero de literatura. No entanto, o aprofundamento requerido pela literatura, que é enorme, é ainda maior para o estudo vivenciado de filosofia.

Na literatura, por mais que nos identifiquemos com uma personagem que, ao final do romance, morra, aceitamos o que impõe a ficção. Na filosofia, no entanto, não somos indiferentes à destruição de tal ou qual conceito pelo filósofo, para que possa propor os seus próprios nomes, sua redefinição do mundo. Isso nos muda.

O filósofo faz isso: redefine o mundo dos homens. Ele o cria, a partir da síntese de toda a sua vida, de sua vivência e de seus estudos. O escritor literário inventa um mundo, e nisso até reinventa o seu próprio, como qualquer autor. Porém, o que a filosofia faz é reinventar o próprio estudante, o leitor-apreciador de filosofia.

Uma leitura filosófica muda a vida de quem lê. É impossível que não mude, pois o grau de extensão mental e de capacidade de articular coerentemente várias hipóteses divergentes ao mesmo tempo em que exige o estudo de filosofia produzem o efeito de, ao fim, flexibilizar conceitos, quebrar a rigidez da visão, a brutalidade dos ouvidos.

A filosofia é absolutamente revolucionária, subversiva, verdadeira. Ela é musical, é dançarina, bela como uma artista e precisa como uma matemática. Rica como os reis, sutil como a metafísica, brilhante como a luz, tão perfeita quanto a perfeição dos homens o permita.

Todos os homens são naturalmente filósofos. A criança é filósofa, a ponto de descobrir o mundo a cada instante. O velho é filósofo, pois é experiente e, muitas vezes, sábio. Todos são filósofos quando pensam sobre si mesmos, sobre uma idéia que tiveram, sobre algo que acharam bonito, sobre algum problema político, científico ou lingüístico. A filosofia engloba tudo, qualquer área do conhecimento e da vida, incluindo a teologia e a teleologia.

Numa discussão, é naturalmente filósofo alguém que, mesmo apoiando uma idéia, vira-se para os outros e pergunta: “Por que não?”, para testar, contestar, perguntar mesmo. É filósofa uma pessoa que entra numa igreja e se converte a uma nova fé: não podemos negar o grau de consideração metafísica pessoal e genuína necessário para tais decisões. É filósofo quem já se perguntou: “Por que que o céu é azul?” ou “O que acontece depois que eu morrer?”, ou “Por que eu acho isso bonito e você não?”. Isso não tem resposta, mas tem respostas.

O ensino da filosofia é uma questão cívica, um direito existencial de todo e qualquer ser humano. É direito de todos o patrimônio filosófico da humanidade. É dever integrante de todos os filósofos lutarem pela causa da filosofia, não como ativistas chatos, mas como encantadores eficientes, conversando com seus semelhantes, em sua vida diária, atento aos aspectos do discurso e reinventando suas idéias a partir de sua experiência e da troca de idéias com outras pessoas.

A filosofia se adquire pela prática. Ela é um movimento registrado, mas não um registro. Livros são portais, essenciais, indispensáveis, mas é preciso saltar.

Vejo a filosofia como a causa máxima a que uma pessoa pode se dedicar, pois é de prioridade máxima o seu estudo. Numa metáfora, dizemos que sol nasce todos os dias, em todos os pontos do globo, e, considerado a fonte da vida, está dentro de todos, pois estamos vivos. A própria experiência do ser, da entidade vivente, é solar, individual, figurada, apolínea.

A filosofia é o sol do filósofo, justamente por não ser um corpus a ser memorizado, mas um modo de viver específico, filosoficamente, uma idéia clara e profunda dos significados das maiores coisas.

Um pathos constante.

Um arrebatamento indizível.







FIM

Sexta-feira, Março 20, 2009

O "Melhor" de 2008

Amigos,


Compilei para o jornal de um amigo alguns dos "melhores" textos de 2008, fora os poemas curtos, etc.

Envio, para apreciação e depreciação.
Retratos psicológicos das//nas Índias.

Com amor,


Will

ps. divulgo antes que se percam no mar de bytes, como já aconteceu, aliás.....
pps. feedback é bem-vindo, divulgação também agradeço. Beijos!



---------- Forwarded message ----------


Por favor escolha. Vou colocar em qualquer ordem, prefiro todos, especialmente os mais aloprados, como "Colheres, homens e mulheres", e os Teoremas # 1 e 2, etc. Gosto de todos.

Por favor inclua no fim da matéria:

"Wilian Fernandes Pereira é filósofo formado pela Unicamp e autor dos livros Discurso Vazio: Pequeno Manual Prático de Como e Por Quê Tornar-se Imediatamente Louco e Por Acaso ou por Destino: Ficção Filosófica de Múltipla Escolha, ambos pela Editora Thesaurus, Brasília, 2008." - Para me ajudar a vender e/ou divulgar o livro @ www.thesaurus.com.br


UM CORPO E VÁRIOS LUGARES NO ESPAÇO
http://wfpereira.multiply.com/journal/item/282/282


SUPERCORDAS
http://wfpereira.multiply.com/journal/item/280/Supercordas_etc._-_2507082221


PEGA NA RABIOLA
http://wfpereira.multiply.com/journal/item/264/264


CAPÍTULOS DA COISA
http://wfpereira.multiply.com/journal/item/263/263


É PROIBIDO DANÇAR
http://wfpereira.multiply.com/journal/item/262/262


TEXTO 201208
http://wfpereira.multiply.com/journal/item/323/323


A PROVIDÊNCIA
http://wfpereira.multiply.com/journal/item/259/259



Bônus: KARAOKE, APENAS (meu último "disco")
http://wfpereira.multiply.com/journal/item/331/331






"Om Shanti, Shanti, Shanti"

Domingo, Fevereiro 01, 2009

Escritora Anne Rice abandona os vampiros e se coloca a serviço de Cristo

Globo.com Literatura

31/10/08 - 18h53 - Atualizado em 03/11/08 - 23h29




Escritora Anne Rice abandona os vampiros e se coloca a serviço de Cristo




Autora de 'Entrevista com o vampiro' já vendeu milhões de livros. Em biografia, ela diz que se converteu após visita ao Corcovado no Rio. Cain Burdeau Da AP



A escritora norte-americana Anne Rice (Foto: Lenny Igneliz/AP) É Halloween e Anne Rice tem um novo livro - de memórias, na verdade - voando alto nas listas de best-sellers.



Tudo normal até aí. Normal se estivéssemos em 1994, auge da fama e das vendas de Rice como a rainha dos romances góticos. Para aqueles que não estavam prestando atenção ao gênero de vampiros recentemente, a mais famosa cronista dos sanguessugas não mora mais em Nova Orleans - isso desde antes do furacão Katrina - e está surfando novas ondas com entusiasmo: a literatura cristã.



Seu livro de memórias, "Called out of darkness: a spiritual confession" (Chamado para fora da escuridão: uma confissão espiritual), é a evidência mais recente de que Rice está se reinventando para tentar construir uma reputação como uma escritora cristã séria.



Na obra, a escritora de 67 anos não desdenha as duas décadas passadas lançando livros sobre vampiros, demônios e bruxas a partir do sucesso de seu primeiro romance "Entrevista com o vampiro", de 1976. Mas ela demonstra claramente que superou o tema. Em uma entrevista por telefone de sua casa numa montanha na Califórnia, Rice revelou seu objetivo: "Conseguir empregar as ferramentas e o que quer que eu tenha aprendido sendo uma escritora de vampiros a serviço de Deus. É uma oportunidade maravilhosa", disse ela.



"Espero que possa me redimir desse jeito. Espero que o Senhor aceite os livros que estou escrevendo agora." Chamado para fé Em 2002, Rice rompeu completamente com o ateísmo - aproximadamente quatro décadas depois de ter abandonado sua fé católica, nos anos 1960. Aconteceu quando ela foi para a faculdade e encontrou seus colegas falando sobre existencialismo - Martin Heidegger, Albert Camus, Jean Paul Sartre. Religião, escreve ela, era muito restritiva para a jovem Rice. Muito fora dos tempos.



Ainda assim, escreve, a religião teve de voltar à sua vida, como se para se confrontar outra vez com um pai ausente ou um amor de infância há muito perdido.



No final dos anos 1990, quando voltou para Massachussets, Rice - a autora cujos livros venderam dezenas de milhões e que realimentaram o apetite de Hollywood pelo horror de vampiros - passou por tempos difíceis.



Seu marido, poeta e artista, Stan Rice, morreu de um tumor cerebral em 2002. E ela se tornou diabética.


Conversão no Rio



Sempre enfática e para além do racional, Rice escreve que sua volta à fé foi precedida de uma série de epifanias, muitas delas durante viagens pelas catedrais da Europa, Israel e Brasil. Certa vez, quando visitou a estátua gigante de Cristo Redentor no Rio de Janeiro, ela relata que sentiu "delírio" e que as nuvens se abriram para revelar a estátua. As supostas revelações remontam à infância religiosa da escritora, que diz que queria ser santa. Aos 12 anos, católica fervorosa, ela pediu ao pai para transformar os fundas de sua casa, em Nova Orleans, em um oratório dedicado à Santa Rosa de Lima - santa que os católicos acreditam que transformasse rosas em cruzes.



De certo modo, seu livro de memórias é também é confessional, ao tratar de sua luta para se tornar uma autora com um estilo literário distinto. Para muitos críticos, suas histórias são intermináveis, escritas de maneira feia e confusa, um pastiche de clichês. E a mudança de rumo - da ficção vampírica para a literatura cristã - ainda não conquistou os detratores. Rice, no entanto, não está aí para impressionar os críticos.



"Meu objetivo é simples: escrever livos sobre nosso Senhor vivendo na Terra e fazê-lo real para as pessoas que não acreditem nele; ou pessoas que nunca tentaram acreditar", diz. E reforça: "Eu tornei os vampiros em algo crível para mulheres adultas. Agora, se eu pude fazer isso, eu posso fazer nosso Senhor Jesus Cristo crível para as pessoas que nunca acreditaram. Espero e rezo [para isso]."





FIM

Sábado, Janeiro 31, 2009

KARAOKE, APENAS (punk trash eletrônico) - PRESSA RELEASE








Este álbum representa (ou resulta) uma provocação, convocação, para uma maior participação artística de todos, para que o mundo possa se renovar, para que possamos descobrir e amar (o que vier primeiro, só sei que nada sei).



Sem julgar as capacidades técnicas do cantor e do equipamento, fora os chiados das interfaces, sempre, apenas por diversão interpretativa, em direção ao trash sincero.



A pérola do trash, este Ideal Supremo!, é quando o ruim foi feito com a melhor das intenções, o péssimo é um alvo atingido, o alvo que não era mirado, e super-satisfaz, por sua imprevisibilidade bizárrica, e o trash vira vício, ou pelo menos ato punk, representando ainda uma certa desobediência civil, porque o trash não segue as normas da “normalidade” daqueles pobres irmãos que, sobre si, não só falam mas também acreditam que “somos normais”.



Representa uma alternativa ao mainstream e outras parafernálias idiotas, consumistas, vazias e, pior de tudo, coreografadas. Ditaduras quase invisíveis, vampiros se relacionando com plásticos, vitrines e bonecos, alguns vivos, outros morrendo, outros mortos. Também, o que mais podemos fazer durante o Kali Yuga, ferrados na Idade do ferro, se não escolher a indiferença, o acúmulo pelo acúmulo, os doppings, drogas e alienações, inclusive socialmente recíproco-validadas?





É anti-capitalista, por ser grátis, livre, feita com VanBasco’s Karaokê (freeware) e um pacote de 35 000 músicas, também grátis (letra é de domínio público), enfim, tudo na faixa.



Anti-papel, porque não requer nada, não custa nada, não tem contratos, e a equipe é basicamente o equipamento, já que eu não existo e o resultado não inclui qualquer contrato.





Por quê?



Por quê?



Não sei. Como sempre, a arte. Não sou um autista, alter-ista, halterofilista. Eu sou alguém que nem todo mundo, porque todo mundo é igual. Portanto, todo mundo é tudo, inclusive artista.



Porque a Terra é um planeta com cerca de 7 bilhões de artistas vivos, alguns com fome.



No entanto, o chamado “Sistema” (sei lá o que é isso, essa personagem, como tudo é persona mesmo, na Sociedade do Espetáculo) precisa de produtos, de todas as categorias, porque tem que permitir e viabilizar as relações de troca entre bens, serviços e outras coisas através de comércio, dinheiro, leis e outras coisas. O Sistema precisa do artista. Inclusive, o artista é um dos vários produtos e/ou possibilidades [de produtos inclusive] do Sistema. A arte é não só espiritual e pessoal, mas “sistematicamente” essencial à manutenção do tal “Sistema”.





O disco é um palhaço moderno, com os olhos crucificados de verdana e seu nariz-de-palhaço (o que é um palhaço sem nariz?) é o que conta, afinal. MMIX.



O disco é mix, denominado, poperô.



E outras paradas só para dizer que:



1) É possível consumir arte contemporânea (de até 7 bilhões de “níveis” de qualidade) de forma fácil.

2) Todo e qualquer ser humano que existe, existiu ou existirá é um artista nato. A supressão do artista nato é o papel da escola e dos “Sistemas Educacionais”, para viabilizar a necessária idiotização (“depois de 20 anos na escola”), para que imbecis munidos de cartões de plástico magnéticos entupam shopping cênteres e engarrafamentos, a fim de preencherem seu vazio existencial, artístico e espiritual, com comidas sem nutrientes, em lugares cheios onde ninguém fala com ninguém, apenas compra.

3) Ou seja, quero dizer que a arte é uma das poucas saídas que restam a nós pobres e comuns mortais (os [ainda] “não artistas”, conforme o interesse de quem fale os critérios...) como tentativa de comunicação e entretenimento, pelas suas várias e [virtualmente] infinitas possibilidades de expressão, já que, além de ser individual, também varia, como tudo, aliás.

4) A arte não é um produto final, um conceito já estabelecido, uma formatação imposta por alguém. A arte não é uma coisa, nem a obra-de-arte. A arte é o FAZER de alguma coisa, é um estado de espírito do qual todos somos dotados.

5) A supressão do que poderia ser a arte é o controle que nasce da falta da produção e difusão da arte particular ordinária, anônima, desimportante.

6) Consumir o que quer que seja não é opção do objeto, e sim impulso e/ou decisão de apreciar algo fora de si. O seu dever enquanto artista é o seu dever de casa, que é seu corpo, que vai morrer.

7) Cada ser humano vivente que não tenha garantido os seus direitos INALIENÁVEIS de garantia de possibilidades de auto-expressão criativa; cara ser humano que, subnutrido, não tem células para fazer neurônios, e se tivesse não tem escola, e que chance tem de virar artista nesse mundo? Vira!!! Aí é que vira, que é o seguinte.

8) Os apuros e os abismos apressam a expressão artística, porque a arte se alimenta de quando nós não temos mais palavras nem outros recursos para expressão de estados, oh... tão comuns, tão idiotas, tão trash!!!

9) Solte o seu artista interior, grave e mande pra mim! “Eu quero ver você aberto, quem avisa amigo é, c tem que ser maluco”, já dizia nossa eterna musa mutante.













FIM





O DISCO

http://www.4shared.com/file/83438836/662f343a/KARAOKE_APENAS_-_Z_WILL_-_3101092318.html





O PROGRAMA, GRÁTIS

http://www.vanbasco.com/download.html





A 35 MIL MÚSICAS, GRÁTIS

http://www.mininova.org/tor/1360704





DIVIRTA-SE





Sexta-feira, Janeiro 30, 2009

Sobre Brasilha - 1101091036

A cidade-bússola também me deixa desorientado, com a sua precisão de que eu não preciso (nem precisar, nem preciso dela), de que Brasília quase me odeia, por assim dizer. Mas ela é feita de quem está nela, de quem a pensa, de quem a conhece. Portanto, você é Brasília, não reclame. Eu continuo Brasília, mesmo quando não estou lá. É a crise de todo ano, a crise dos minutos no aviãozinho mais confortável do mundo, com seus pontos cardeais de motéis, seus eixos de ilusões e realidades perceptíveis, seu coraçãozinho de Rodoviária.

A poesia sem a dúvida realmente não existe, eu concordo, porque, se soubesse de alguma coisa, como poderia ser tão vagamente precisa? A poesia é um encantamento, não é deste mundo. Ela é uma linguagem de tipo especial, musical e melodramático. Eu acho (a verdade eu não sei, ainda, quem sabe um dia, espero).

E mais engraçado do que Brasília é o de como todos os brasilienses são iguais, mais ou menos iguais. E as gerações também, têm seus naipes mentais, suas marcações e suas gírias de baralho. É MUITO bom ver que a gente é assim, porque, muito abstratamente falando, é a nossa sutil identidade étnica (os filhos dos candangos, primeira, segunda, terceira geração no máximo).

Somos diferentes em Brasília, somos iguais. Somos mais materialistas, somos mais espirituais. Sofremos tanto, é tão confortável! Aglomeração anônima, condensação solitária!

Silêncio, eu quero falar. Me deixa ficar quem silêncio, porque é que ninguém fala comigo?

Ai ai, Brasília de mil e um significados, mil e um gênios e gênias presos na lâmpada crucificada na carne do cerrado destruído!

Ok, aloprei no comentário. Desculpa, eu sou brasiliense, eu sou meio aloprado mesmo...

Beijos beijos,

Will

Sábado, Dezembro 20, 2008

2012082309 – blog ausente

2012082309 – blog ausente






1.


Gostaria de escrever. Gostaria muito. Gostaria mesmo. Mas não consigo. Tanta coisa aconteceu (são tantras coisas), que falar não só parece inútil, como é. Ah, falar... Fala sério...


Por outro lado, que restará sem palavras?


Vou falar sobre minhas férias, e tendinites, e outras tendências e inflamações, inclusive psicológicas (e outras avaliações, portanto todas violentas), mas ainda não é a hora. Não ainda.


Tentar não adianta, e tentar já é fazer. Portanto, fazer "errado", se mesmo fazer não adianta? Ó, adiantamento! Para frente (onde quer que frente seja)!



2.


Gostaria de responder aos emails, e ser um amigo legal.

Que legal, ser um amigo legal!


Nada de jogar a real, que, na Real, nunca é ser bom amigo.

A Realidade não é dura, É.

Dureza é meu apego às ilusões interpretativas.



Mas, falar? Não "adianta" (poderosas "aspas"!).




Acontecer versus falar.

Falar versus.

Versus versus.

Acontecer palavras.

Palavras falar..

acontecer versus.

Versus palavras.



Oh, inutilidade máxima!

Descrever? "Meu cu".


(Pitoresco, como diria a Palavra (ou o "P"alavreado)).



Insolente,

indolente,

Academia.

Gato mia!



3.


Que, no fundo, é a putaria.

A putaria da puta,

a putaria do crente,

crente que é quente,

puta que é fria

pra si mesmo

mesma


o que não ressalva

nada

do nada

ao nada

(mesmo anal, ou anual)

ou qualquer outra combinação


Ação,

oh, ho ho ho,

rimas pobres

e outros

papáis

noíeis

noésis

imagens

ditaduras

alienações

imposições

épocas

epocais

oh



ho ho ho

meus ais!



4.


estar e ausentar

férias,

férias do barulho

silente

oh, que livros

que cenas

que experiências

(vividas?)



5.


limite

vontade

possibilidade

conveniência

ruído

barulho

resíduo

registo

mancha

mágoa

nódoa

limite

pessoalidade

impessoalidade

eforço

cansaço

discernimento

abismo

crise

crescimento

silêncio


sabedoria

vs

parole parole parole


et allien

e o caralho

etc


sem justificativas

efêmero

prestes a deixar


de ser

e de talvez

acontecer

sem testemunha além

de si próprio

(porque Deus é foda,

e Está em Tudo,

Inclusive na Ignorância).



6.




Há tanto ruído, na minha cabeça, tanto barulho não digerido, que a força de um poema não conseguirá deschavar, em linguagem apropriada, de forma condensada, os fatos em que se baseiam o que pretenderia descrever, já que fatos não existem e baseamentos levam a quase nada, ou nada (já que tudo é nada, enfim, e o Vazio é a única realidade essencial possível).



Que, melhor, é calar.

E, mais, abusar de vírgulas,

e intervalos,

do que não usar.


(Que não existe a Gramática

das Emoções,

e que as Línguas estão

acima das Gramáticas).


E que falar é inútil,

pois o ser é condicionado

e o discurso se perverte

em auto-comiseração

e outras formas de decadência

auto-impostas,


budistamente explicadas,

se é que o budismo explica alguma coisa.




7.



Não consigo escrever, apenas gritar. Rugir. Trepar não posso, e, psicologicamente inclusive, auto-trepamento tem limite, apesar de que nada disso também resolve. Nem resolve, porque também não tem problema. No fundo, tudo é profundo, e a palavra é um esforço quase inútil.


"Oi, você está bem?"


Oh, me poupe! Claro que sim, já que você não perguntou (e, se perguntasse, eu, na minha loucura e outras limitações, talvez não respondesse "a"o email), porque notícia [ruim] chega rápido.


Solidão não existe (sempre há memórias, não é, Fernandinho?).


O silenciamento é apenas uma consequencia (coletiva?) do auto-silenciamento, e isso também faz parte, de modo que, de tempos em tempos, o mundo se cala.


É preciso se enxergar. Ah, Língua Portuguesa do Brasil!



Ridículo,

sim, passível de risos.

Riam-se.

Mas saibam:


todos morreremos,

a tempo.




8.


Tenho parentes,

onde estão?


Que saco!




Tenho memórias,

o que são?


Cansaço!




Tenho pressa

de quê mesmo?


De ressaca!



Tenho vontade

de escrever.

Sobre o quê?



Sobre tudo e nada;

que, falar, não adianta.

(com vírgulas e tudo).








FIM


(mas "to be continued", como dizem os japoneses).





--
"A religião do futuro será uma religião cósmica, baseada na experiência, e que recusa dogmatismos. Se houver alguma religião que possa lidar com as necessidades científicas, essa seria o Budismo." (Albert Einstein (1879-1955))



"As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas... Ame-as mesmo assim. Se você tem sucesso em suas realizações, ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos... Tenha sucesso mesmo assim. O bem que você faz será esquecido amanhã... Faça-o mesmo assim. A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável... Seja honesto mesmo assim. Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo, você corre o risco de se machucar... Dê o que você tem de melhor mesmo assim." (Madre Teresa de Calcutá)

Sexta-feira, Agosto 15, 2008

Cientistas criam 'cérebro' de robô com neurônios de rato



Da BBC Brasil

Cientistas da Universidade de Reading, no Reino Unido, criaram um "cérebro" para um robô com neurônios de rato para auxiliar pesquisas sobre doenças como o mal de Alzheimer.

Os neurônios estão "aprendendo" a desviar o robô de obstáculos e evitar paredes.

Ao estudar o que acontece com os neurônios e como eles interagem com a máquina, os responsáveis pelo projeto esperam entender o processo de registro da memória pelo cérebro humano.

As cerca de 300 mil células nervosas que formam o cérebro do robô foram retiradas do cérebro de um feto de rato e tratadas para que as conexões entre os neurônios individuais fossem dissolvidas.

Os neurônios - mantidos separadamente do resto do robô, em um ambiente que permita que sobrevivam - foram distribuídos sobre uma superfície à qual foram conectados 60 eletrodos que recebem e enviam sinais elétricos às células.

Esses sinais são usados para definir os movimentos do robô.

Cada vez que ele se aproxima de um objeto, um sistema de navegação no autômato capta essa informação e ela é transmitida para as células.

As células então reagem, direcionando as rodas do robô para a esquerda e a direita de maneira a evitar que a máquina bata nos objetos.

Aprendizado

Depois de aprender a controlar os movimentos do robô e desviar de obstáculos, o próximo passo para o "cérebro" da máquina será aprender a reconhecer o ambiente ao redor.

Em uma segunda etapa das pesquisas, os cientistas pretendem simular danos à memória do robô para recriar a perda gradual de faculdades mentais em males como os de Alzheimer e Parkinson.

"Uma das questões fundamentais que os neurocientistas enfrentam hoje é como relacionar a atividade de neurônios individuais a comportamentos complexos que percebemos em organismos ou animais", disse o neurocientista Ben Whalley, da Universidade de Reading.

"Esse projeto nos dá uma oportunidade única e muito útil de observar algo que pode nos dar reações completas, mas ainda permanece intimamente ligado à atividade de neurônios individuais."

O trabalho da equipe de Reading segue a trilha de outros semelhantes. Em 2003, o Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos, desenvolveu o que chamou de "hybriots" - ou robôs híbridos - utilizando máquinas e tecidos neurais.

Em um trabalho anterior, cientistas do Centro Médico da Northwestern University, também nos Estados Unidos, conectaram um robô com rodas a uma lampréia, para explorar formas de controle de próteses.

Fonte:
http://cienciaesaude.uol.com.br/ultnot/bbc/2008/08/14/ult4432u1547.jhtm

Domingo, Agosto 03, 2008




http://wfpereira.multiply.com/journal?&=&page_start=240


Aniversário de 5 anos do meu blog, ou seja, a vida de todo mundo desde 2003.

Aprecie sem moderação, e por gentileza me deixe saber a sua opinião. Tem filosofia misturado.

De baixo pra cima, do fim para o "começo".


Eu agradeço, eu agradeço, eu agradeço!



ps. sim, eu sou louco, sei...

Aniversário do Blog

Percebi que o blog vai fazer 5 anos em 29-11, porque incorporou outros blogs, então na verdade ele é um livro vivo, que está sendo escrito pra sempre, a menos que eu pare; aliás, como todos os blogs (livro = blog impresso), ele não precisaria ser impresso, porque já é publicado? Não sei... Resolvi antecipar o aniversário. Vai que eu morra, credo!, tomara que não... Mas as perspectivas todas excluem o tempo, enquanto o tempo passa, e aí? ...

O surto do bem, mas cuidado: eu sou o mal. (Oh!)

Por gentileza assista aos 22 vídeos que eu indelicadamente postei numa certa sequência, é o meu presente de aniversário pra mim mesmo, e pra vocês, que são a razão da existência de cada letra deste texto, que é a minha vida, a minha personagem, o eu lírico que eu desconheço, mas e que daí, foda-se.


Então gostaria de recomendar principalmente a leitura do blog, o que deve idealmente ser feito de trás pra frente, por gentileza; e se o faço não é por exibicionismo, se parece, mas por um convite a acompanhar um mesmo texto, o mEu-teXto, que fica pra trás que nem eu mesmo leio, e faz tempo... mas esse texto tem alguma coisa...

Eu gostaria que você me ajudasse a saber o que ele é. Um livro precisa de um título, afinal, como poderá reunir-se?

...


É um retrato (é tudo ficção, lógico), um enquadramento de visão que muda, e é apocaliptico, porque a esperança é a última que morre, Amém.

Bem, ele começa aqui:

-> http://wfpereira.multiply.com/journal?&page_start=220



Já que o mundo vai acabar mesmo, foda-se!




"O BEM VENCE O MAL
ESPANTA O TEMPORAL
O AZUL O AMARELDO
TUDO É MUITO BELO!!!"



Shanti OM.
Paz a todos os seres.


Dedicado ao Buda, e a todos.




Quinta-feira, Setembro 20, 2007

DEVER DE CASA (filosofema)

DEVER DE CASA – 2009071943wfpdf

PARTE I – INTRÓITO SOBRE

Alguém já disse que escrever é uma profissão. Acho que também é, mas que deve ser uma profissão de fé. É preciso acreditar. Todos somos escritores.

A prova é lógica, mas não dispensável: todos sabemos ler e escrever. nalfabetos não usam lêem sites. Quem sabe digitar sabe escrever. Portanto somos todos escritores.

O que é uma dádiva do ápice em que nos encontramos, para fomentar cultura, torna-se, por vários modos, instrumento de uso, de compra e de venda, alienando-se da maravilha que simplesmente é, tornando-se impressos, preços e pressões.

Isto também é preciso, se não, não haveria bulas nos medicamentos, e esse uso é útil. Assim também o marketing (e o Apocalipse que representa), senão tudo mais, exceto...

O segundo nível do problema: a palavra pode ser útil ou perigosa, como discernir? Que uso, que finalidade, quanto, quando?

Portanto, o que nos faz dizer “Ele é um escritor!” não é nossa capacidade de escrever, mas o uso que fazemos de poder escrever, particularmente, conforme o estilo do autor.

Terceiro problema: todo escritor é um autor, mas nem todo autor é um escritor. Por há outros tipos de autoria (artística, poética, eidética, etc.).

O que é um escritor?

Por que não somos escritores?

Em primeiro lugar, não somos escritores só quando não escrevemos. Todas as vezes que escrevemos somos escritores, mesmo quando do que dite a língua padrão (norma culta).

Portanto (e mesmo assim, paradoxalmente), quando escrevemos, podemos fazer por uso, para fins de compra-venda, ou para nos VALIDARMOS naquilo que constitui a literatura então constituída.

Assim, “quando a linguagem muda, o escritor cai” (Paulo Coelho, paradoxalmente).

Há uma exceção: quando o texto não está fixo na linguagem ela-mesma, mas antes subjaz em imagens “eternas” (porque, de tão profundamente relacionadas ao lado obscuro humano, são inesquecíveis). O texto que não está na língua, mas sob a pele, tatuado de significado profundo (que sangra).

Exemplo: Você foi pra escola e aprendeu a escrever. Pronto. E agora você sabe redigir, concordar nominal e verbalmente, eticétera. Valeu. E agora, José?

  • Você quer ser útil à sociedade? (escrita técnica ou de uso)
  • Você quer tem sede de imortalidade e se acha foda? (escrita em literatura)
  • Você conspira e teme que morra sem escrever antes? (escrita paranóica, geralmente autobiográfica, desesperada sem motivo e por isso poética).
  • Você escreve a lei, faz com que se cumpram os processos e a pena? (escrita jurídica, altamente Importante).
  • Você quer esclarecer as idéias entre si, e colocar outras? (escrita filosófica, insubstituível senão pelo Zen, unicamente)
  • Você acha tudo lindo e quer maravilhar essa Bênção? (escrita religiosa e poética)
  • Você quer revolucionar o mundo? (escrita política)
  • Você está fazendo e acha tudo massa? (escritor de blog,)

Bem, é uma tentativa não exaustiva (não posso ficar exausto agora, pois preciso fazer meu dever de casa)... Food for thought (ou “rango pra nóia”, em brasportuguês).

(Antes que eu comece: precisamos conhecer os escritores de outros países lusófonos, e conspirar a recriação poética dos radicais do Português do futuro, amém.)

PARTE II – DEVER DE CASA

Algumas coisas crescem, outras diminuem. Escrevi isto num guardanapo (uma espécie moderna de pergaminho frágil) de seda. Anotações para o dever de casa.

Podemos listar o que cresce

Podemos listar o que diminui

A vida, falando esparsamente (ou “mudando de pau pra cacete”, como se diz em Minas Gerais), é como o download.

Afinal, a vida é um download ela mesma. O body (corpo) é o hardware (suporte) e a Vida (Absoluto) é o software (conteúdo).

Da mesma forma, o MP3 – neto dos deuses lisérgicos do Vale do Silício –iguala o passado e o agora. Explico: uma coisa era acompanhar uma banda lisérgica como The Doos, The Beatles, Os Mutantes, enquanto aconteciam.

Observávamos não a obra, mas a autoria, o conjunto universo, o “momento” ao vivo. Hoje, escuto TODO O PINK FLOYD em um dia.

Quarenta anos de carreira reduzidos a uns 100 mega e algumas horas de apreciação. Isso não é uma crítica, ao contrário, é divino maravilhoso.

Por que isso é importante?

Porque hoje (a era do começo do fim, cf. planeta Terra), ou a era do recomeço, é possível fazer algo.

É possível conhecer, é possível ouvir, é possível LER, é possível até ESCREVER.

De volta ao ponto principal. O hábito automatiza o que antes parecia ou era anti-natural. Uma aberração poderá tornar-se Normal, Norma, Normalidade e ser Normótica num lugar quem que foi rejeitada no primeiro momento.

Tudo é uso, muito é hábito.

A natureza é cultura?

A cultura é natureza?

Talvez as duas coisas, possivelmente. Assim, perguntemos: escrever é um ato natural? Uma aberração da natureza, ou a flor da cultura do uso das mãos?

Escrever não é atirar?

Escrever não é matar?

Também, enquanto que é fixar, parar, dispor, deitar, “eternizar” (mesmo em superfícies efêmeras, como papiros de guardanapo de bar e sítios de web).

Os corpos até descansam, as mentes nem sempre.

As mentes dificilmente descansam, e há músculos cronicamente tensos.

Há memória nas carnes, a Natureza e os ocorridos.

O tempo todo no corpo...

Mas ora, isso não é possível! (A não ser, claro, naquele estado especial em que, dentre outras miraculosidades, o “gênio” humano gera chamado literatura ou arte).

Não só escrever é uma arte, mas é “viver intensamente”, como propunha Discurso Vazio, uma opereta.

No prosseguimento, pra terminar, a pergunta de que o mundo físico, inclusive nosso corpo, não seria um composto de detalhes ricos e xchapiscos, coisas que não entendemos mas são belas.

Ou porque são belas. Pensando, entre o cigarro e o incenso, qual é o limite entre as duas fumaças, quando elas voam pelo ar da sala?

Qual o limite das fumaças?

Qual a distância entre significado e loucura?

Como discernir o Discernimento???

2027fim

Ps. Lembrando do pedaço do papiro que diz: “Dizer adianta, quando se pode se adiantar. E não adianta, na maioria dos casos”.

Pps. “É-se o que se é, e isto são fragmentos frágeis....”