Duas peças...
... de teatro "surrealista".
Uma dedicada a Picasso, pelo "O Desejo pego pelo rabo".
E outra pro Bill, pelo conjunto da obra.
Leia-me do Komesso. O fim é importante em todas as Koisas.
... de teatro "surrealista".
Amigos,
Globo.com Literatura

A cidade-bússola também me deixa desorientado, com a sua precisão de que eu não preciso (nem precisar, nem preciso dela), de que Brasília quase me odeia, por assim dizer. Mas ela é feita de quem está nela, de quem a pensa, de quem a conhece. Portanto, você é Brasília, não reclame. Eu continuo Brasília, mesmo quando não estou lá. É a crise de todo ano, a crise dos minutos no aviãozinho mais confortável do mundo, com seus pontos cardeais de motéis, seus eixos de ilusões e realidades perceptíveis, seu coraçãozinho de Rodoviária.
2012082309 – blog ausente
1.
Gostaria de escrever. Gostaria muito. Gostaria mesmo. Mas não consigo. Tanta coisa aconteceu (são tantras coisas), que falar não só parece inútil, como é. Ah, falar... Fala sério...
Por outro lado, que restará sem palavras?
Vou falar sobre minhas férias, e tendinites, e outras tendências e inflamações, inclusive psicológicas (e outras avaliações, portanto todas violentas), mas ainda não é a hora. Não ainda.
Tentar não adianta, e tentar já é fazer. Portanto, fazer "errado", se mesmo fazer não adianta? Ó, adiantamento! Para frente (onde quer que frente seja)!
2.
Gostaria de responder aos emails, e ser um amigo legal.
Que legal, ser um amigo legal!
Nada de jogar a real, que, na Real, nunca é ser bom amigo.
A Realidade não é dura, É.
Dureza é meu apego às ilusões interpretativas.
Mas, falar? Não "adianta" (poderosas "aspas"!).
Acontecer versus falar.
Falar versus.
Versus versus.
Acontecer palavras.
Palavras falar..
acontecer versus.
Versus palavras.
Oh, inutilidade máxima!
Descrever? "Meu cu".
(Pitoresco, como diria a Palavra (ou o "P"alavreado)).
Insolente,
indolente,
Academia.
Gato mia!
3.
Que, no fundo, é a putaria.
A putaria da puta,
a putaria do crente,
crente que é quente,
puta que é fria
pra si mesmo
mesma
o que não ressalva
nada
do nada
ao nada
(mesmo anal, ou anual)
ou qualquer outra combinação
Ação,
oh, ho ho ho,
rimas pobres
e outros
papáis
noíeis
noésis
imagens
ditaduras
alienações
imposições
épocas
epocais
oh
ho ho ho
meus ais!
4.
estar e ausentar
férias,
férias do barulho
silente
oh, que livros
que cenas
que experiências
(vividas?)
5.
limite
vontade
possibilidade
conveniência
ruído
barulho
resíduo
registo
mancha
mágoa
nódoa
limite
pessoalidade
impessoalidade
eforço
cansaço
discernimento
abismo
crise
crescimento
silêncio
sabedoria
vs
parole parole parole
et allien
e o caralho
etc
sem justificativas
efêmero
prestes a deixar
de ser
e de talvez
acontecer
sem testemunha além
de si próprio
(porque Deus é foda,
e Está em Tudo,
Inclusive na Ignorância).
6.
Há tanto ruído, na minha cabeça, tanto barulho não digerido, que a força de um poema não conseguirá deschavar, em linguagem apropriada, de forma condensada, os fatos em que se baseiam o que pretenderia descrever, já que fatos não existem e baseamentos levam a quase nada, ou nada (já que tudo é nada, enfim, e o Vazio é a única realidade essencial possível).
Que, melhor, é calar.
E, mais, abusar de vírgulas,
e intervalos,
do que não usar.
(Que não existe a Gramática
das Emoções,
e que as Línguas estão
acima das Gramáticas).
E que falar é inútil,
pois o ser é condicionado
e o discurso se perverte
em auto-comiseração
e outras formas de decadência
auto-impostas,
budistamente explicadas,
se é que o budismo explica alguma coisa.
7.
Não consigo escrever, apenas gritar. Rugir. Trepar não posso, e, psicologicamente inclusive, auto-trepamento tem limite, apesar de que nada disso também resolve. Nem resolve, porque também não tem problema. No fundo, tudo é profundo, e a palavra é um esforço quase inútil.
"Oi, você está bem?"
Oh, me poupe! Claro que sim, já que você não perguntou (e, se perguntasse, eu, na minha loucura e outras limitações, talvez não respondesse "a"o email), porque notícia [ruim] chega rápido.
Solidão não existe (sempre há memórias, não é, Fernandinho?).
O silenciamento é apenas uma consequencia (coletiva?) do auto-silenciamento, e isso também faz parte, de modo que, de tempos em tempos, o mundo se cala.
É preciso se enxergar. Ah, Língua Portuguesa do Brasil!
Ridículo,
sim, passível de risos.
Riam-se.
Mas saibam:
todos morreremos,
a tempo.
8.
Tenho parentes,
onde estão?
Que saco!
Tenho memórias,
o que são?
Cansaço!
Tenho pressa
de quê mesmo?
De ressaca!
Tenho vontade
de escrever.
Sobre o quê?
Sobre tudo e nada;
que, falar, não adianta.
(com vírgulas e tudo).
FIM
(mas "to be continued", como dizem os japoneses).
Percebi que o blog vai fazer 5 anos em 29-11, porque incorporou outros blogs, então na verdade ele é um livro vivo, que está sendo escrito pra sempre, a menos que eu pare; aliás, como todos os blogs (livro = blog impresso), ele não precisaria ser impresso, porque já é publicado? Não sei... Resolvi antecipar o aniversário. Vai que eu morra, credo!, tomara que não... Mas as perspectivas todas excluem o tempo, enquanto o tempo passa, e aí? ...
DEVER DE CASA – 2009071943wfpdf
PARTE I – INTRÓITO SOBRE
Alguém já disse que escrever é uma profissão. Acho que também é, mas que deve ser uma profissão de fé. É preciso acreditar. Todos somos escritores.
A prova é lógica, mas não dispensável: todos sabemos ler e escrever. nalfabetos não usam lêem sites. Quem sabe digitar sabe escrever. Portanto somos todos escritores.
O que é uma dádiva do ápice em que nos encontramos, para fomentar cultura, torna-se, por vários modos, instrumento de uso, de compra e de venda, alienando-se da maravilha que simplesmente é, tornando-se impressos, preços e pressões.
Isto também é preciso, se não, não haveria bulas nos medicamentos, e esse uso é útil. Assim também o marketing (e o Apocalipse que representa), senão tudo mais, exceto...
O segundo nível do problema: a palavra pode ser útil ou perigosa, como discernir? Que uso, que finalidade, quanto, quando?
Portanto, o que nos faz dizer “Ele é um escritor!” não é nossa capacidade de escrever, mas o uso que fazemos de poder escrever, particularmente, conforme o estilo do autor.
Terceiro problema: todo escritor é um autor, mas nem todo autor é um escritor. Por há outros tipos de autoria (artística, poética, eidética, etc.).
O que é um escritor?
Por que não somos escritores?
Em primeiro lugar, não somos escritores só quando não escrevemos. Todas as vezes que escrevemos somos escritores, mesmo quando do que dite a língua padrão (norma culta).
Portanto (e mesmo assim, paradoxalmente), quando escrevemos, podemos fazer por uso, para fins de compra-venda, ou para nos VALIDARMOS naquilo que constitui a literatura então constituída.
Assim, “quando a linguagem muda, o escritor cai” (Paulo Coelho, paradoxalmente).
Há uma exceção: quando o texto não está fixo na linguagem ela-mesma, mas antes subjaz em imagens “eternas” (porque, de tão profundamente relacionadas ao lado obscuro humano, são inesquecíveis). O texto que não está na língua, mas sob a pele, tatuado de significado profundo (que sangra).
Exemplo: Você foi pra escola e aprendeu a escrever. Pronto. E agora você sabe redigir, concordar nominal e verbalmente, eticétera. Valeu. E agora, José?
Bem, é uma tentativa não exaustiva (não posso ficar exausto agora, pois preciso fazer meu dever de casa)... Food for thought (ou “rango pra nóia”, em brasportuguês).
(Antes que eu comece: precisamos conhecer os escritores de outros países lusófonos, e conspirar a recriação poética dos radicais do Português do futuro, amém.)
PARTE II – DEVER DE CASA
Algumas coisas crescem, outras diminuem. Escrevi isto num guardanapo (uma espécie moderna de pergaminho frágil) de seda. Anotações para o dever de casa.
Podemos listar o que cresce
Podemos listar o que diminui
A vida, falando esparsamente (ou “mudando de pau pra cacete”, como se diz em Minas Gerais), é como o download.
Afinal, a vida é um download ela mesma. O body (corpo) é o hardware (suporte) e a Vida (Absoluto) é o software (conteúdo).
Da mesma forma, o MP3 – neto dos deuses lisérgicos do Vale do Silício –iguala o passado e o agora. Explico: uma coisa era acompanhar uma banda lisérgica como The Doos, The Beatles, Os Mutantes, enquanto aconteciam.
Observávamos não a obra, mas a autoria, o conjunto universo, o “momento” ao vivo. Hoje, escuto TODO O PINK FLOYD em um dia.
Quarenta anos de carreira reduzidos a uns 100 mega e algumas horas de apreciação. Isso não é uma crítica, ao contrário, é divino maravilhoso.
Por que isso é importante?
Porque hoje (a era do começo do fim, cf. planeta Terra), ou a era do recomeço, é possível fazer algo.
É possível conhecer, é possível ouvir, é possível LER, é possível até ESCREVER.
De volta ao ponto principal. O hábito automatiza o que antes parecia ou era anti-natural. Uma aberração poderá tornar-se Normal, Norma, Normalidade e ser Normótica num lugar quem que foi rejeitada no primeiro momento.
Tudo é uso, muito é hábito.
A natureza é cultura?
A cultura é natureza?
Talvez as duas coisas, possivelmente. Assim, perguntemos: escrever é um ato natural? Uma aberração da natureza, ou a flor da cultura do uso das mãos?
Escrever não é atirar?
Escrever não é matar?
Também, enquanto que é fixar, parar, dispor, deitar, “eternizar” (mesmo em superfícies efêmeras, como papiros de guardanapo de bar e sítios de web).
Os corpos até descansam, as mentes nem sempre.
As mentes dificilmente descansam, e há músculos cronicamente tensos.
Há memória nas carnes, a Natureza e os ocorridos.
O tempo todo no corpo...
Mas ora, isso não é possível! (A não ser, claro, naquele estado especial em que, dentre outras miraculosidades, o “gênio” humano gera chamado literatura ou arte).
Não só escrever é uma arte, mas é “viver intensamente”, como propunha Discurso Vazio, uma opereta.
No prosseguimento, pra terminar, a pergunta de que o mundo físico, inclusive nosso corpo, não seria um composto de detalhes ricos e xchapiscos, coisas que não entendemos mas são belas.
Ou porque são belas. Pensando, entre o cigarro e o incenso, qual é o limite entre as duas fumaças, quando elas voam pelo ar da sala?
Qual o limite das fumaças?
Qual a distância entre significado e loucura?
Como discernir o Discernimento???
2027fim
Ps. Lembrando do pedaço do papiro que diz: “Dizer adianta, quando se pode se adiantar. E não adianta, na maioria dos casos”.
Pps. “É-se o que se é, e isto são fragmentos frágeis....”